.o balo e as cinzas.

.a felicidade que a gente procura.
.parece sempre estar distante.
.ou presa em um passado de fotos em cima de uma velha estante.
.imagens que revelam um diferente instante.

.a infncia, 
.poca de inocncia.
.bruscamente atropelada pela adolescncia.
.quando a confuso dos sentimentos comea.
.momento exato onde muita gente tropea.

.se tiver pressa pra subir a queda  inevitvel.
.pra fugir disso  preciso manter a mente estvel.
.desfavorvel pra muitos de ns, que a muitos anos.
.assistimos, ouvimos e acreditamos.
.que o objetivo  subir e alcanar outros planos.
.a ambio cola aqui,  inevitvel.
.mas se o samba desandar,  lamentvel.

.o balo que sobe no ar e te envolve.
.com a beleza dos foguetes que no cu explodem.
.um nico instante colore sua vida.
.mas no final do carnaval sobram s as cinzas.

.j sem fantasia, sem carro ou alegoria.
.o que me sobra  a verdade do dia-a-dia.
.de tudo desejado, pouco foi alcanado.
.o corpo fica satisfeito mas o esprito  deixado de lado. 

. complicado, sonhando assim, subi bem alto.
.conquistei vrios espaos.
.mas na queda dei de frente com a incerteza.
.havia despedaado a minha fortaleza.

.viajei, conheci muitos lugares.
.amei, pelo mundo nos bares formando pares.
.mas onde eu estava quando sucumbia que mais precisava.
.de um gesto ou de uma palavra.

.tropecei no sonho.
.de paz, justia e liberdade.
.difcil  ficar eternamente a margem.
.encontrar mais improviso na vida do que na arte.

.o balo que sobe no ar e te envolve.
.com a beleza dos foguetes que no cu explodem.
.um nico instante colore sua vida.
.mas no final do carnaval sobram s as cinzas.

.centenas de velas em copos coloridos.
.juntas formam um painel.
. perigoso e  bonito.
.daqui do cho eu admiro.

. coragem,  fora de vontade.
.papel e arame juntos num fim da tarde.
.erguem a esperana de toda comunidade.

. mais que um balo aquilo que sobe.
. um sonho coletivo que todo mundo se envolve.

.e se o vento resolve virar de repente.
.vai ficar perigoso pra toda gente que depende.
.do losango bi-colorido onde a esperana do oprimido vira um rito.
.iludido, sofrido, sempre contido.
.mas independente do ca  bonito.

.o balo que sobe no ar e te envolve.
.com a beleza dos foguetes que no cu explodem.
.um nico instante colore sua vida.
.mas no final do carnaval sobram s as cinzas.